Um vestido, uma dança, a alegria e a força de quem transforma o que a cidade descarta
Postado à, 34 dias atrás | 4 minutos de leitura
“Nada se perde, tudo se recicla”: vídeo da ACLU com Tamires celebra o valor de quem transforma o que a cidade descarta
Ao som do clássico “Ordinary”, de Alex Warren, Tamires dança entre doações e embalagens vermelhas — e transforma o galpão da ACLU em um retrato da beleza que nasce do simples e do imprevisível.
A sexta-feira dia 24 de outubro começou diferente no galpão da Associação dos Catadores do Lixo Urbano de Piraju (ACLU). Entre pilhas de recicláveis e sacos vermelhos cheios de doações, uma peça amarela — um vestido de cetim e renda, talvez com muitas histórias — foi resgatada. E, junto com ele, surgiu um gesto espontâneo de alegria.
Ao som do clássico “Ordinary”, de Alex Warren, a catadora Tamires dançou sorrindo, celebrando o início do dia com leveza e entusiasmo. A cena, gravada por colegas e compartilhada nas redes da associação, revela uma beleza inesperada: o brilho do trabalho árduo, a simplicidade do gesto e a força de quem vive o cotidiano com propósito.
Na legenda do vídeo, a ACLU escreveu:
“Assim começa nossa sexta-feira, apesar de ser um trabalho árduo, realizamos com amor e com a alegria da companheira Tamires. Esta é uma das inúmeras peças de roupas descartadas nas embalagens vermelhas. Fazemos doação das peças que estão em perfeitas condições e assim nada é descartado, mas reutilizável. Nada se perde, tudo se recicla.”
O vídeo deveria viralizar — pela verdade, pela delicadeza e pela felicidade que carrega. É um retrato da substância da alegria, não da alegria fácil, mas daquela que nasce do trabalho, da confiança e da dignidade. O próprio Jesus se concentrou em dar visibilidade àqueles que a sociedade tornava invisíveis, e talvez seja essa a força silenciosa que atravessa o registro de Tamires: um instante de luz sobre o que muitos não veem.
Como ensina o mestre budista Lama Padma Samten, “temos que iluminar situações que possam aparentemente ser desconfortáveis”. E é exatamente isso que esse vídeo faz — ilumina o galpão, o esforço, o comum, o imprevisível, o aparentemente inexplicável e o humano.
► “Cause maybe being ordinary was all I ever needed / And if that’s what love is, then I’ll be ordinary with you.”
► “Talvez ser comum fosse tudo o que eu sempre precisei / E se é isso que o amor significa, então quero ser comum com você.”
► “I don’t need the lights or the crowd / Just the quiet where I’m found.”
► “Não preciso de luzes nem de plateia / Só do silêncio onde me encontro.”
► “We don’t need the perfect life they paint / We’ll find beauty in the pain.”
► “Não precisamos da vida perfeita que desenham / Encontraremos beleza até na dor.”
Fundada em 11 de junho de 2001, a ACLU atua em Piraju com foco na sustentabilidade, na inclusão e na solidariedade. O vestido amarelo, resgatado entre embalagens vermelhas, simboliza mais do que uma peça recuperada — é o retrato de uma filosofia de vida: nada se perde, tudo se transforma.
Obrigado, Tamires, por esse momento tão pleno de verdadeira alegria — a alegria que tem raiz, sentido e humanidade em meio a impermanência de todas as coisas. Que sua alegria posso despertar muitas emoções e realidades.