Editoria Cidades da Folha de Piraju digital
Dia 22 de dezembro de 2025 um podcast conduzido pelo radialista Cristovão Silveira, trouxe o debate sobre a saúde de Piraju e avançou com foco na intervenção no contrato de gestão do Hospital. O encontro contou com a presença do prefeito Carlinhos Pneus, do vice-prefeito Leonardo Tonon que também foram entrevistados por Christovão. A entrevista é muito atual e trata de um assunto que interessa a toda a comunidade local.
Dr. Oswaldo Ortega afirmou que não considera tardia a decisão pela intervenção no contrato de gestão da saúde. De acordo com Ortega, duas condições nortearam a decisão. A primeira foi o atendimento à população. “Tudo aquilo que você faz em saúde tem uma consequência direta na população”, afirmou. A segunda condição considerada foi o impacto sobre os trabalhadores. “A questão dos recursos humanos, das pessoas que estavam trabalhando, também foi bastante importante para a gente.”
O diretor de Saúde atribuiu parte dos problemas ao modelo adotado anteriormente. “Nós tivemos uma pactuação, um novo chamamento em dois mil e vinte e dois, que foi muito mal feito”, afirmou. Segundo ele, as falhas desse contrato foram se acumulando ao longo do tempo. “A coisa veio avolumando, vários apontamentos, irregularidades não corrigidas, até que chegou o momento de tomar uma atitude”, disse, ao destacar que a decisão foi tomada pelo atual prefeito.
Ortega explicou que diferentes alternativas foram avaliadas antes da escolha pela intervenção parcial. “Haviam várias possibilidades: prorrogar o contrato, anular o contrato, inabilitar a OS, fazer uma intervenção total ou uma intervenção parcial”, relatou. Segundo ele, a opção adotada foi a que atendia às necessidades observadas pelo Departamento de Saúde e causava menos prejuízo. “Buscamos aquilo que fosse menos danoso para todo mundo, tanto para as pessoas que estavam sendo assistidas quanto para os trabalhadores em saúde.”
Ao detalhar os objetivos da intervenção, Ortega citou dificuldades operacionais, como a organização financeira e bancária do hospital. “O que a gente quer é organizar tudo para fazer um novo chamamento, o melhor possível, e sair um pouco das questões administrativas para ir a campo prestar os serviços.”
Fila de Espera
Segundo o diretor, a intervenção também busca enfrentar demandas represadas. “Nós temos muita gente para ser operada, fila de ultrassons, fila de tomografia”, disse. Ele afirmou que a equipe esteve na DRS em Bauru para apresentar as pretensões do município. “Piraju quer ser referência para a região”, declarou, ao citar como metas a ampliação de serviços, maior qualificação e projetos como diálise e UTI.
Recomposição de equipes
e médico a mais
O tema da recomposição de equipes apareceu a partir de perguntas de ouvintes durante a transmissão ao vivo, especialmente sobre atendimento odontológico. Ortega explicou que, no período da intervenção, contratos com profissionais Pessoa Jurídica não foram renovados por descumprimento de cláusulas contratuais. “Se havia apontamento de não cumprimento de cláusulas de contrato, não havia sentido da gente estar prorrogando esses contratos”, afirmou. Ele justificou a medida com a lógica do modelo PJ. “No PJ não cabe faltar, porque ele é uma empresa. Então, se alguém falta, tem que repor, e isso não estava acontecendo.”
“Os dentistas e os médicos todos estão repostos”, afirmou. Ele explicou ainda que a Secretaria passou a trabalhar com um profissional a mais para cobrir eventuais ausências. “Nós temos dez estratégias de saúde da família, mas hoje temos onze médicos, exatamente para não deixar ninguém desassistido.”
Nesse processo, Ortega destacou o alinhamento com a atual presidência do Hospital que, passou a atuar em sintonia com a Prefeitura, a Diretoria de Saúde, o Conselho Municipal de Saúde e a comissão de acompanhamento do contrato. Ortega afirmou que a gestão hospitalar tem participado das tratativas para regularizar pendências administrativas e financeiras, inclusive na busca por soluções bancárias que permitam a abertura de contas específicas da intervenção, garantindo a regularidade dos pagamentos e da prestação de contas.
Ortega disse ainda que a expectativa é de melhora gradual ao longo de 2026. “A gente acredita que em cerca de seis meses, até o final do primeiro semestre de dois mil e vinte e seis, já teremos resultados muito melhores do que os atuais”, afirmou, mencionando o alinhamento com a DRS, os servidores municipais da saúde e os profissionais da OS.
Por fim, o interventor comparou o modelo adotado em Piraju com intervenções totais realizadas em outras cidades e destacou que a escolha local foi diferente por responsabilidade fiscal. Ele afirmou que a intervenção parcial também foi necessária para corrigir glosas apontadas pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas. “O investimento do município em saúde, que por lei é de quinze por cento, está passando de trinta por cento. Se se gasta bastante, a saúde precisa estar à contento”, concluiu.