MP sustenta homicídio culposo e oferece indenização de R$ 50 mil para família de idoso atropelado em
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Sentença cita valor como “reparação por danos morais”; Familiares da vítima contestam decisão_
O Ministério Público de São Paulo decidiu manter a denúncia de homicídio culposo contra a vereadora Ana Carla Teles (Podemos), acusada de atropelar e matar Sebastião Silvestre de Faria, de 85 anos, em Timburi. A parlamentar ainda deve pagar à família da vítima uma indenização de R$ 50 mil como “reparação por danos morais”, de acordo com o relatório.
A decisão não agradou aos familiares do idoso, que contestaram o desfecho do caso. “A vida do meu avô vale só R$ 50 mil? É isso?”, questiona um dos netos, que preferiu não se identificar. A acusação por homicídio culposo — quando não há intenção de matar — e o pedido de prisão em regime semiaberto foram outros fatores que frustraram a família.
“A lei diz que quando infringimos alguma regra, assumimos um risco, há uma intenção e devemos pagar por isso. Quando ela decidiu dirigir em marcha ré, numa velocidade acima da permitida, matando meu avô atropelado, ela tinha total conhecimento do que estava fazendo. Nós queremos Justiça”, desabafa Micaela Silvestre da Silva, outra neta de Sebastião.
No relatório do MP, a promotoria chega a reconhecer que Ana Carla foi imprudente ao trafegar em marcha ré e em velocidade elevada, e cita que a conduta da vereadora ficou “no limite entre a culpa consciente e o dolo eventual”. Porém, decidiu por manter o enquadramento definido na denúncia.
A Câmara de Vereadores de Timburi foi procurada, mas não retornou o contato. A presidência do Podemos, partido de Ana Carla, preferiu não se pronunciar sobre o assunto.
Relembre o caso
No dia 19 de novembro de 2024, a vereadora Ana Carla Teles (Podemos), que trafegava em marcha ré – e acima da velocidade permitida – pela rua Rua Mário de Andrade, em Timburi, atropelou o idoso enquanto ele atravessava a via, localizada em frente à residência do falecido.
O idoso até tentou escapar do acidente, sem sucesso, quase se chocando com um poste ao ser atingido pelo carro da vereadora. O atropelamento ocorreu às 10h55 da manhã e uma câmera de segurança instalada em uma rua paralela registrou toda a ação.
Segundo o boletim médico, o idoso deu entrada no Hospital Santa Casa de Ourinhos (SP), às 17h30 da mesma data, com fraturas em seis costelas do lado direito, no púbis e no acetábulo (região do quadril), além de apresentar muita dor, mesmo após a analgesia.
O falecimento, segundo consta no atestado de óbito, foi declarado às 17h30 do dia 20 de novembro, por politraumatismo causado em acidente automobilístico – atropelamento.
Testemunhas relataram ainda que, mesmo após a morte de Sebastião Silvestre Faria, a vereadora ainda dirige na marcha ré pela cidade, causando medo entre os moradores.
Confissão nas redes sociais
No mesmo dia do acidente (19), Ana Carla Teles foi até as redes sociais e gravou um vídeo relatando o atropelamento. Nele, a mesma confessa que atropelou o idoso. “Sim, eu bati o carro em um senhor… Nessa rua, eu estava descendo de ré”, confessa a vereadora. Com a manifestação da população no vídeo publicado em suas redes sociais, Ana Carla Teles retirou a postagem.
Perseguição
Desde o ocorrido, Ana Carla abriu dois processos de calúnia e difamação contra alguns familiares do idoso. A vereadora perdeu o primeiro processo apresentado na comarca de Piraju (SP) e, posteriormente, entrou com mais uma ação, desta vez, em Sorocaba (SP). Ainda não há data para o julgamento do segundo processo.
Além das ações da Justiça, a vereadora continua realizando postagens tentando amenizar o caso e, inclusive, ofendendo os familiares do idoso. De acordo com a Lei 14.811/2024, intimidar ou difamar uma pessoa por meio de ambientes virtuais é considerado cyberbullying, passível de multa e reclusão de dois a quatro anos.