seja bem vindo ao portal folha de piraju

Circulação: Cidades e Regiões das Comarcas de Piraju, Santa Cruz do Rio Pardo, Ipaussu e Avaré

notícias

Voltar

Lars Grael volta a Piraju 24 anos depois e reencontra legado do projeto Navega São Paulo

Postado à, 0 dias atrás | 10 minutos de leitura

Lars Grael volta a Piraju 24 anos depois e reencontra legado do projeto Navega São Paulo

►Bicampeão olímpico retornou à cidade para palestra sobre sua trajetória no esporte e destacou os resultados alcançados pela canoagem desde a implantação do projeto no início dos anos 2000

Vinte e quatro anos depois de participar da implantação do projeto Navega São Paulo em Piraju, durante a gestão do então prefeito Maurício Pinterich, Lars Grael retornou à cidade nesta terça-feira para ministrar uma palestra e reencontrar parte da história construída às margens do rio Paranapanema.

Desta vez, o medalhista olímpico foi recepcionado pelo prefeito de Piraju, Carlos Alberto Camargo Lima (Carlinhos Pneus), pelo vice-prefeito Leonardo Tonon e pelo diretor municipal de Esportes, Luciano Sanches, além de representantes do município e integrantes da comunidade esportiva.

Antes da palestra, Lars visitou pontos de Piraju e voltou ao local onde funcionou o núcleo do projeto Navega São Paulo. Às margens do Paranapanema, no Parque das Águas encontrou jovens praticando esportes náuticos e relembrou sua passagem pelo município.

►Em entrevista ao jornalista Anderson Moreira, Lars destacou a emoção do reencontro com a cidade depois de mais de duas décadas.

“Para mim é um prazer enorme retornar a Piraju. Deu aquele flashback quando eu olhei o vale, o Paranapanema, o núcleo onde era o projeto Navega São Paulo, o pessoal remando, velejando, inclusive. E quando eu parei e me dei conta de que a última vez que estive aqui foi quando implantamos o projeto Navega São Paulo e já se passaram 24 anos.”

O retorno permitiu também que o ex-atleta e gestor público acompanhasse os resultados alcançados pela canoagem pirajuense ao longo desse período.

“Reencontrar Piraju vendo que a canoagem continuou aqui, mais do que isso, floresceu, formou campeões internacionais, dá um orgulho muito grande. Voltar hoje a Piraju como palestrante e fazer um depoimento de vida da minha trajetória de paixão pelo esporte olímpico é muito gratificante.”

Do projeto federal ao Navega São Paulo

A relação de Lars Grael com Piraju começou no início dos anos 2000, quando o município recebeu o projeto federal Navegar, iniciativa voltada à democratização do acesso à vela, ao remo e à canoagem.

Naquele período, Lars Grael ocupou o cargo de secretário nacional de Esportes, entre 2001 e 2002, durante o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. A Secretaria Nacional de Esportes integrava a estrutura do então Ministério do Esporte e Turismo.

Posteriormente, entre 2003 e 2006, Lars foi secretário de Estado da Juventude, Esporte e Lazer de São Paulo, durante a gestão do governador Geraldo Alckmin. Nesse período, os núcleos paulistas foram retomados por meio do projeto Navega São Paulo. Piraju, que já participava da iniciativa federal, passou para o programa estadual.

Ao jornalista Anderson Moreira, Lars explicou como ocorreu esse processo.

“Tudo começou quando nós criamos um projeto de inclusão social através da vela em Niterói. Isso foi há 28 anos, o Projeto Grael, que virou o Instituto Rumo Náutico. Depois eu atuei uma fase como secretário nacional de Esportes. Dentre as ações, criou-se o projeto Navegar, que, além da vela, tinha o remo e a canoagem.”

Grael lembrou que o programa federal acabou interrompido após a mudança de governo.

“Infelizmente, projetos públicos são descontinuados quando muda governo. O projeto Navegar, que chegou a crescer e motivar muito a canoagem, o remo e a vela, parou. Mas, no período em que fui secretário estadual de São Paulo, nós retomamos os núcleos pelo projeto Navega São Paulo. Piraju, que já tinha começado no plano federal, migrou ao plano estadual.”

A continuidade do trabalho no município, na avaliação de Lars, permitiu que o projeto apresentasse resultados ao longo dos anos.

“Era uma parceria que envolvia a Confederação Brasileira de Canoagem, que deu apoio total. E deu certo. Os anos se passaram. A prefeitura abraçou o projeto, é a mantenedora desse projeto. E você tem atletas de ponta, como o Pepe, o Charlinho e outros que saíram daqui e conquistam resultados impressionantes. Atletas que representam a Marinha do Brasil, a Força Aérea Brasileira.”

Piraju e a vocação para a canoagem

Questionado por Anderson Moreira sobre o significado de acompanhar atletas que começaram nos projetos de formação e chegaram a competições internacionais, Lars defendeu a democratização do acesso ao esporte.

“Eu acho que é gratificante. Porque os esportes náuticos sempre foram rotulados como esporte de elite. A vela, sobretudo. Então, você tentar, de alguma forma, deselitizar ou democratizar o acesso ao esporte, ainda mais em municípios que têm vocação para isso, é fundamental.”

O medalhista olímpico destacou as características de Piraju para a prática esportiva.

“Piraju tem uma vocação natural para a canoagem. Também para o remo, nem tanto para a vela. Outros municípios, por exemplo, Avaré, seriam um pouco mais para a vela. Então, você permitir que jovens da rede pública de ensino tenham acesso ao esporte é fundamental.”

Para Lars, o papel das políticas públicas não deve ficar restrito aos esportes náuticos.

“Não só os esportes náuticos, isso é apenas uma vertente. Mas o esporte como um todo. É o judô, é o taekwondo, é o karatê, é o boxe, é o tênis, é o vôlei, é o handebol.”

►Ao concluir a entrevista, Grael defendeu o esporte como direito da população e responsabilidade do poder público.

“O esporte deveria ser um dever do Estado e um direito do cidadão. Nem sempre isso acontece. Então, eu acho que o esporte tem essa capacidade de transportar valores para a juventude. Eu acho que a gente dá uma contribuição, no meu caso, que tem origem no esporte da vela. Mas, como atuei como gestor esportivo, você acaba tendo uma sensibilidade muito mais ampla. O esporte é fundamental para toda a sociedade.”

Trajetória olímpica e gestão pública

A trajetória que Lars Grael apresentou ao público durante a palestra é marcada pela participação em quatro edições dos Jogos Olímpicos e pela conquista de duas medalhas de bronze na classe Tornado.

A primeira medalha veio nos Jogos de Seul, em 1988, ao lado de Clínio de Freitas. A conquista ocorreu após um ciclo olímpico marcado pela falta de estrutura e recursos. Lars e Clínio chegaram a considerar a possibilidade de não participar da competição diante das dificuldades para manter equipamentos e disputar torneios internacionais.

Com o apoio do empresário e ex-velejador Nicholas Makay, que adquiriu um barco novo e dois jogos de velas para a dupla, os brasileiros chegaram aos Jogos sem favoritismo e conquistaram o bronze.

A segunda medalha olímpica foi obtida em Atlanta, em 1996, ao lado de Kiko Pellicano.

Lars também disputou os Jogos de Los Angeles, em 1984, quando terminou na sétima colocação com Glenn Haynes, e Barcelona, em 1992, quando ficou em oitavo lugar com Clínio de Freitas.

O retorno a Piraju, 24 anos depois, reuniu diferentes momentos da trajetória de Lars Grael. A história do medalhista olímpico, tema da palestra, encontrou no município um exemplo concreto de uma política pública iniciada no começo dos anos 2000 e mantida ao longo de diferentes administrações.

Lars Gael deu entrevista sobre as impressões sobre o projeto da canoagem em Piraju

que ele inaugurou em 2002.

Compartilhe:

Facebook WhatsApp E-mail