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Despedida: Oswaldinho Viana: o violeiro das águas doces

Postado à, 17 dias atrás | 6 minutos de leitura

Despedida: Oswaldinho Viana: o violeiro das águas doces

 

Cantautor pirajuense transformou o amor pela natureza em obra poética e musical de referência nacional

As cinzas de Oswaldinho Viana foram lançadas ao Rio Paranapanema no último sábado, 1º de novembro, conforme seu desejo. Cantautor, violeiro e guardião das memórias de Piraju, ele dedicou a vida a cantar as águas, as florestas e o território-mãe.

O primeiro disco autoral de sua carreira foi totalmente composto em homenagem ao território banhado pelo Rio Paranapanema, fazendo lembrar que, num dado momento da história, este lugar passou a se chamar São Sebastião do Tijuco Preto, mas que depois, por ironia do destino ou por forças pindorâmicas incontornáveis, teve retomado o originário Piraju — nome da aldeia onde por muito tempo nossos ancestrais, e os de Oswaldinho, viveram, semearam florestas, cuidaram das matas ciliares e cultivaram as nascentes de sua transbordante obra.

Uma referência primordial para as escutas das novas gerações e ao bem viver dessas águas. Instante de plenitude e gratidão: a poeira cósmica de Oswaldinho sendo recebida com alegria pelo avô-rio Paranapanema. Levada, conforme seu desejo, pelas águas afetuais que nos compõem como gentes e encantam nossos ancestrais.

Oswaldinho: arranjo de rio; música viva, doce, vibrante, intensamente tocante.
Ele nos ensinou de águas, de sonho e de alegria, com muitas amizades na música da vida. Ensinou na sina de escutar mundos e fundos em cada gota vital de afeto — gotículas que ligam poro a poro da corpa chamada Pacha, dando passagem às confluências vitais.

Tecelão onírico das artesanias afetuais, Oswaldinho ensinou de corpo inteiro nas pequenitudes do dia a dia, tecendo coletivamente o amor e a amizade enquanto caminho. Confiando, carinhosa e profundamente, no cultivo e na semeadura das relações onde cada semente sonha selvas inteiras.

Um modo de convivência cultivando espaçotempos que a noção de posse, consumo e atropelo não conseguem perceber e experimentar. E isso é sobre uma cosmovisão que Oswaldinho sempre afirmou nas canções e relações que teceram sua caminhada — cosmopercepções da Mãe Terra, Nhandetsy, Pacha ou Gaia de incontáveis nomes.

Oswaldinho se ancestralizou aos 71 anos, sendo nos últimos 50 companheiro de vida e arte da cantautora e percussionista Marisa Viana (72 anos). Além de belíssimos discos, juntos geraram Dani-Vi (45 anos) e Mayana (37 anos), que por sua vez gerou o neto Bento Viana (9 anos).

As cinzas de Oswaldinho foram lançadas ao Paranapanema por Marisa Viana e Dani-Vi, também arte-ambientalista atuante na música, na educação e no reflorestamento do imaginário, com discos autorais que contêm diversas músicas compostas à beira do rio e participações de vários artistas pirajuenses — entre eles, o cantautor, poeta e educador Paulo Viggu, com quem assina diversas parcerias sonoras.

O ritual à beira-rio foi de alegre e emocionante cantoria, na companhia de gentes amadas que conhecem e reconhecem profundamente a importância dessas águas afetuais onde somos piraju kwery: cardume de seres que brilham dourado n’água — seres cantantes e brincantes, composições vivas de um Paranapanema que reúne toda uma diversidade de cantos.

“Onde en-canta um piraju, incontáveis vozes das águas livres se cardumizam e os corações ficam batendo soltos no vento.”

Durante décadas, Oswaldinho criou e manteve os mais importantes espaços de resistência cultural de São Paulo, fazendo parte ativa da construção da carreira de incontáveis artistas da cena brasileira e internacional, tecendo belas parcerias com amigos como Chico César, Zeca Baleiro, Zé Geraldo, Belchior, Helena Meireles, Tetê Espíndola, Alzira Espíndola, Pena Branca e Xavantinho, Ceumar, Miltinho Edilberto, Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, Almir Sater, Renato Teixeira, Rolando Boldrin, Inezita Barroso, João Pacífico, Luli & Luciana, Xangai, entre muitos outros.

 

“São Sebastião do Tijuco Preto, hoje é chamada Piraju. Vale do Paranapanema, do cascudo, do dourado e do jaú.” (Oswaldinho Viana)

Viva Oswaldinho, o violeiro das águas doces. Viva o avô-rio Paranapanema.

Mais sobre Oswaldinho e um vídeo especial estão aqui no site da Folha de Piraju.

O texto reúne arte e relatos de amigos e Dani-Vi.

Uma das músicas mais lindas sobre Piraju está no soundcloud clique na foto a seguir e ouça

 

 

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