Após reunião do Conselho de Saúde, Prefeitura anuncia credenciamento para terapias de TEA
Postado à, 7 dias atrás | 6 minutos de leitura
Menos de 24 horas após a reunião extraordinária do Conselho de Saúde presidido por Mila Bérgamo, presidente da AASP , um encontro marcado a partir das cobranças de pais e responsáveis por crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a Prefeitura de Piraju se pronunciou publicamente sobre a situação das terapias ocupacionais e anunciou que estuda alternativas para garantir a continuidade dos atendimentos.
Numa live no Facebook na sexta (12/06) pela manhã o prefeito Carlos Alberto Camargo Lima e o vice-prefeito e chefe de gabinete, Leonardo Tonon, realizaram uma transmissão ao vivo para apresentar o posicionamento da administração municipal. Segundo o prefeito, representantes dos setores jurídico, contábil e de saúde já estavam reunidos para buscar uma solução que atenda às necessidades das famílias e respeite as exigências legais.
“Ontem aconteceu uma reunião do Conselho, que foi acalorada, e a gente quer achar a melhor maneira para que não faça problema para as famílias, para as crianças, que são as principais”, declarou o prefeito.
Carlinhos informou que uma das alternativas em estudo é a implantação de um sistema de credenciamento de profissionais, permitindo que terapeutas interessados possam prestar atendimento dentro de um modelo regulamentado pela administração municipal. De acordo com ele, uma reunião com profissionais e demais envolvidos foi agendada para discutir a viabilidade da proposta.
“Segunda-feira cedo a gente vai chamar os profissionais, os outros envolvidos, para a gente achar uma maneira e partir para um credenciamento”, afirmou.
A discussão ocorre após manifestações de famílias que relatam interrupções em terapias consideradas fundamentais para o desenvolvimento de crianças com TEA. Durante a reunião do Conselho Municipal de Saúde, realizada na noite anterior, pais e responsáveis defenderam a manutenção dos tratamentos e demonstraram preocupação com a possibilidade de rompimento dos vínculos já estabelecidos entre as crianças e os profissionais responsáveis pelos atendimentos.
Ao comentar o assunto durante a live, Leonardo Tonon afirmou que essa foi uma das principais reivindicações apresentadas pelas famílias.
“Os pais priorizam, pedem sempre a questão do vínculo com a criança. Nós não queremos que nenhuma criança regrida em seus atendimentos e em suas terapias”, disse.
Segundo o vice-prefeito, o modelo de credenciamento poderá permitir que os profissionais permaneçam aptos a prestar atendimento durante todo o período necessário, garantindo estabilidade aos tratamentos e preservando a relação construída ao longo do acompanhamento terapêutico.
“Criando-se assim um vínculo, como é tão pedido e solicitado pelos pais e necessitado pelas crianças”, acrescentou.
Durante a transmissão, Leonardo Tonon também informou que foi procurado pelos pais para atuar como interlocutor junto à administração municipal. “Eles me pediram para ser esse porta-voz em relação à administração, juntamente a eles, para que nós possamos ter esse elo entre administração e pais, para que as coisas possam caminhar”, afirmou.
Na reunião do Conselho Municipal de Saúde realizada na noite anterior, Leonardo Tonon já havia se manifestado sobre o assunto. Em sua fala, declarou que vinha alertando a administração sobre a situação enfrentada pelas famílias e defendeu uma postura mais sensível diante do problema. O vice-prefeito afirmou que estava faltando “humanidade” na condução da questão pelo departamento de saúde e lembrou o lema adotado pela atual administração durante a campanha eleitoral, baseado na proximidade com a população e no cuidado com as pessoas. "Gente que gosta de gente".
Ao final da live, o prefeito voltou a defender que a discussão tenha como prioridade as crianças e suas famílias. Segundo ele, a administração municipal busca uma solução que ofereça segurança jurídica ao município sem comprometer a continuidade dos atendimentos.
“Não vamos deixar a política entrar no meio para atrapalhar. Vamos ter bom senso e fazer o que for melhor para todas as partes, pensando primeiramente na criança que tem o espectro autista”, declarou.
A expectativa agora é que as reuniões anunciadas pela Prefeitura ocorram nos próximos dias para definir qual modelo será adotado para garantir a continuidade dos atendimentos terapêuticos às crianças atendidas pelo município.