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Pediatra Fausto Flor Carvalho lança livro sobre paternidade em Taquarituba e Avaré neste sábado

Postado à, 0 dias atrás | 8 minutos de leitura

Pediatra Fausto Flor Carvalho lança livro sobre paternidade em Taquarituba e Avaré neste sábado

Autor defende maior participação dos pais na criação dos filhos e apresenta a obra "Bom pai, mau pai" em dois eventos abertos ao público.

O médico pediatra Fausto Flor Carvalho lança neste sábado (25) o livro Bom pai, mau pai – Aprendendo com os (muitos) erros e (alguns) acertos do Rei Davi em dois eventos na região. As atividades são abertas ao público e acontecerão em Taquarituba, pela manhã, e em Avaré, no período da tarde.

O primeiro lançamento será das 10h às 12h30, no Espaço Café, junto à Relojoaria Rubi, em Taquarituba. Em seguida, o autor participa de uma sessão de lançamento das 14h30 às 17h30, no Manacá Bistrô, em Avaré.

Integrante da Sociedade de Pediatria de São Paulo, Fausto Flor Carvalho aborda na obra a participação dos pais na educação dos filhos. A partir da experiência como pediatra e também como pai, ele propõe reflexões sobre presença, responsabilidade e envolvimento paterno no desenvolvimento das crianças.

Segundo o autor, embora tenha aumentado nos últimos anos, a participação dos pais nas consultas pediátricas ainda é menor que a das mães. O livro procura incentivar homens, pais, avós e futuros pais a assumirem um papel mais ativo na formação dos filhos.

Os lançamentos contarão com sessão de autógrafos e oportunidade para conversa com o autor.

Veja entrevista do autor

Os desafios de ser pai na era da distração digital

Pediatra e autor de novo livro sobre parentalidade afirma que a presença paterna continua sendo decisiva na formação dos filhos

Ser pai nunca foi apenas garantir sustento. Para o pediatra e escritor Fausto Flor Carvalho, a paternidade também exige presença, exemplo e disposição para rever os próprios erros. Depois de mais de 25 anos acompanhando famílias em consultório, ele afirma perceber um número crescente de homens que desejam participar da criação dos filhos, mas admitem não saber como exercer esse papel. Dúvidas e distrações interferem nesse caminho.

A experiência profissional, somada à vivência como pai de dois filhos, o inspirou na escrita de seu segundo livro: “Bom Pai, Mau Pai”, publicado pela LC Books. Na obra, Carvalho utiliza a história do rei Davi para discutir como a ausência, a impulsividade e a falta de diálogo podem marcar a vida de uma família, mas também mostrar que a paternidade pode ser reconstruída. Para o autor, educar um filho começa pelo caráter e pela consciência do próprio pai.

Depois de tantos anos atendendo famílias, você acredita que o papel do pai mudou?

Mudou bastante. Hoje vejo muitos homens querendo participar mais da vida dos filhos, o que é positivo. Mas talvez os pais nunca tenham tido tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, se sentido tão inseguros sobre como educar. Somam-se a isso as distrações do mundo atual, que tornam a presença cada vez mais difícil.

O pai continua sendo uma referência fundamental para os filhos, mas essa influência depende menos do que ele diz e muito mais da maneira como vive, porque o exemplo continua sendo a linguagem mais poderosa da educação.

O que a expressão "abandono virtual” revela sobre a paternidade nos dias de hoje?

Vivemos em uma sociedade em que as distrações são constantes e estão em todos os lugares. O celular, o trabalho e tantas outras demandas competem pela atenção dos pais o tempo todo. O desafio para um pai é compreender que a presença paterna não se resume ao corpo, mas à disponibilidade para enxergar, ouvir e participar ativamente da vida dos filhos.

Quando isso não acontece, mesmo sem intenção, instala-se aquilo que chamo de "abandono virtual": uma ausência que não decorre da distância física, mas da incapacidade de oferecer atenção genuína a quem mais precisa dela. É uma realidade cada vez mais frequente e que tem consequências profundas na formação das crianças.

Você costuma dizer que o primeiro filho que um homem precisa educar é ele mesmo. Por quê?

Porque ninguém transmite aquilo que não desenvolveu. A criança aprende observando como os pais reagem à frustração, ao conflito e às dificuldades. Todos nós convivemos com impulsos, mas maturidade é aprender a governá-los.

A verdadeira autoridade, portanto, nasce do domínio sobre si mesmo, não da força sobre os outros, e isso é particularmente importante para homens que, por vezes, perdem a cabeça e usam a força para conseguir obediência.

No livro, a escolha do rei Davi para falar sobre paternidade foi intencional. O que essa história ensina aos pais de hoje?

O que mais me chama a atenção na história de Davi é que ela não retrata um pai perfeito, mas um pai capaz de mudar. Ele foi ausente com os filhos mais velhos e isso trouxe consequências profundas para a própria família. Na velhice, no entanto, tornou-se um pai mais presente e participou da formação de Salomão.

Esse contraste reforça que a paternidade é um aprendizado contínuo, e que ninguém está condenado aos erros que cometeu no passado. Sempre é possível rever atitudes e construir uma relação diferente com os filhos.

Que mensagem você gostaria que os homens levassem após a leitura do livro?

Que ser um bom pai não significa ser um pai perfeito. Significa reconhecer as próprias limitações e decidir crescer. Somos todos seres em desenvolvimento, aprendendo, todos os dias, com as relações, as vivências e as informações que consumimos. Nenhum homem muda o passado, mas todo homem pode decidir como será lembrado pelos filhos daqui para frente. É essa esperança que procuro transmitir. Sei que muitos pais querem ser mais presentes na vida dos filhos e isso é possível.

 

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