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O Arruda e a grande viagem, artigo reunido e pesquisado por João Dias

Postado à, 34 dias atrás | 9 minutos de leitura

O Arruda e a grande viagem, artigo reunido e pesquisado por João Dias
A pesquisa a seguir foi feita pelo funcionário Municipal João Dias Ramos, que hoje atua no Acessa SP. Por motivos pessoais João (que é de familia que chegou em Piraju por vota de 1878) não faz mais pesquisas históricas, abrindo mão de um encanto que sempre teve pela história de Piraju e região. Através de uma publicação de 2019, por ocasião do aniversário da cidade de Piraju reunimos esse material. São trechos variados, mas que retratam um pouco do que ocorria aqui naqueles primeiros tempos.
Se vê que a mentalidade em torno dos índigenas era colonialista como sempre não considerando sua cultura, seus hábitos e o fato de estarem na terra antes dos colonizadores. Nestes trechos temos relatos de Teodoro Sampaio, de um jornal americano e de Constantino Leman que escreveu vários livros sobre a história de Piraju, fundou jornais (inclusive esta Folha de Piraju) e a Guarda Mirim, que até hoje tem uma importância social na comunidade local.
 
Constantino narra
Arruda, homem religioso, na grande viagem,com destino às terras compradas no sertão do vale do Paranapanema,trazia consigo, os filhos,agregados e a sua bíblia.“Com dificuldade venceu os caminhos e as picadas,de Botucatu até a pequena povoação de três ranchos
(hoje Cerqueira Cesar), aboiada já estava andando toda estropiada, e mesmo as mulas estavam demonstrando cansaço”. Nesse clima em 24 de agosto de 1859 – dia quente e ensolarado Joaquim Antoniode Arruda faz uma parada nas margens de um ribeirão, o qual denominou de São Bartolomeu. Um pouco |à frente, um novo acampamento para reavaliar seu traçado, e de manhã, logo que acordaram foram importunados pelas manduris (abelhas) cujo mel, no entanto agradou a todos, sugerindo que deveria denominar aquele lugar de Manduri”,e de lá se foram seguindo viagem...
 
O Encontro com o Rio Paranapanema
“ Preparando-se então,para uma nova digressão às barrancas do rio, foram descendo, e de repente – o pessoal todo parou maravilhado no fundo entre barrancos rochosos,rápido corria e saltava o rio – o velho Panema, tão falado; em cujas margens,acham-se situadas as possessões compradas pelo Arruda...”
•Citações; Fonte: Livro “São Sebastião do Tujuco Preto” de Constantino Leman
 
Nasce Piraju
Nasce São Sebastião do Tijuco Preto, pela doação das terras para
a formação do pequeno patrimônio, pelas famílias de Joaquim Antônio
de Arruda, Domingos Faustino e João Antônio Graciano e pelo ato religioso ocorrido na primeira capela nas proximidades da praça Benedito da Silveira Camargo (Brasilinha). Acredita-se que este ato religioso seria a primeira missa em louvor a São Sebastião, rezada
pelo frei capuchinho vindo de São João Batista do Rio Verde (Itaporanga/ Barão de Antonina) enviados pela província e a Diocese Botucatu para catequizar os índios Caiuás do aldeamento denominado “São Sebastião do Piraju”
 
ACONTECIMENTOS E O
COTIDIANO DE TIJUCO
PRETO:
Não podemos deixar de citar a grande expedição científica destinada a
explorar o vale do Paranapanema : – a expedição de Teodoro Sampaio, descendo o Paranapanema – chega em São Sebastião do
Tijuco Preto. Aqui conheceram nossa pequena Vila,nosso clima, os indígenas, nossa agricultura. Atentemos para as palavras do
próprio Teodoro Sampaio (chefe da Expedição):
“....durante o mês de julho,viajando entre S. Sebastião
do Tijuco Preto e a barra do Tibaji, à temperatura
mínima da noite oscilava de 0º a 10 graus.
A mata virgem oferece aos conhecedores da boa terra
os indícios da sua superioridade: a figueira branca,
o pau d'alho, a peroba,o cedro ... são aí arvores
gigantescas."
E referindo-se aos índios disse: “ .....outros aldeamentos
indígenas como o de (do) Piraju e o de São João
Batista, pouco valem por mal dirigidos. O do Piraju, que visitamos
e onde tomamos por emprestado alguns dos melhores remadores,
com poucas palhoças espalhadas, intermitentemente ocupadas e
quase nenhuma lavoura, a população oscila muito, emigrando os índios por falta de quem os guie, e não raro voltando ao mato
com mais vícios que de lá trouxeram.”
Referindo-se a produção agrícola  um artigo entitulado “A Grande Produção de Tijuco Preto” já era revelada num jornal americano que cita as terras do Major Vicente Trindade, pertencente à S. Sebastião
do Tijuco Preto que na tradução:  De Faxina é relatado que o Major Vicente de Oliveira Trindade e Mello encontrou uma grande mina de
carvão na sua plantação em Tijuco Preto e que o carvão foi pronunciado por especialistas de qualidade superior.
 
Teodoro Sampaio sobre a Grande Produção de Tijuco Preto: 
“....de São Sebastião do Tijuco Preto exportam-se 100 mil arrobas de fumo, preparado em corda, 150 mil kg de açúcar e 500 pipas de aguardente e na parte da criação exportam-se cerca de 30.000 (trinta mil) suinos e 50.000 (cinquenta mil arrobas) de café.
 
DE BOTUCATU TIJUCO
PRETO COMPRAVA DE
TUDO E ERAM TRANSPORTADOS
EM CARROS
DE BOI, COMO CITA
TEODORO SAMPAIO: “já importávamos também cerca de 15 a 20 mil arrobas/ano através de Botucatu: chapéus, calçado, louça, ferragens, farinha de trigo, açúcar, algumas bebidas, drogas medicinais,
bacalhau, sal, vinho, sendo ainda muito caros os fretes, que de Botucatu a São Sebastião do Tijuco Preto paga-se hoje por um
cargueiro 8$000 a 60$000 mil réis pelo carro de boi que gasta 7 dias no trajeto de 21 léguas”
A FORMAÇÃO SOCIAL: . Composto já por uma pequena formação social – mas por homens dedicados e , abnegados a formação do futuro município, mesmo sob condições hostis, inerentes
ao tempo que enunciamos eles caminham, mas caminham primeiramente na formação de São Sebastião do Tijuco Preto – em
1872 quando já eramos um pouco maior – algumas casas –
a capela já se tornara a primeira matriz, próxima da atual. Entre as dificuldades inerentes ao tempo que viviam : a presença
dos índios caiuás – originalmente, donos desta terra, trava-se uma luta
cruel entre os sertanistas que ocupam o vale e os indígenas.
Assim Teodoro Sampaio descreve essa dificuldades para ocupar o
sertão do Paranapanema: “o índio é de fato a maior dificuldade que encontra o povoamento do vale do Paranapanema; obrigado
a fugir sempre diante do colono invasor, que lhe destrói as matas, que lhe restringe dia por dia ... o índio, antigo senhor, reage como pode, mata e rouba a traição e jamais esquece: a vingança como nunca se
modera em atrocidades, é já bem longa a lista dos que pereceram vítimas da ferocidade do índio nestes últimos 15 anos:
famílias inteiras trucidadas, mulheres, meninos, animais domésticos, tudo perece da maneira mais cruel” As doenças como a
varíola e a malaria e febre amarela também foram enfrentadas pelos primeiros desbravadores, mas foi
na política que houveram as desavenças pelo poder desde 1890 para frente onde dois grupos políticos
disputavam a liderança, deixando marcas estruturais na educação, que faz a diferença hoje".