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“Não fui o primeiro nem o último”, diz Alex Sartori sobre abusos atribuídos a Pires

Postado à, 1 dias atrás | 10 minutos de leitura

“Não fui o primeiro nem o último”, diz Alex Sartori sobre abusos atribuídos a Pires
A Folha de Piraju reproduz, a seguir, a transcrição de trechos de entrevista concedida por Alex Sartori ao radialista e repórter Diego dos Reis,  do blog Expresso PirajuRádio Eduvale FM, nesta semana. No final desta transcrição você pode clicar na foto da entrevista que consegue entrar direto na reportagem completa de Diego entrevistando Alex. A transcrição que fizemos apenas destaca alguns trechos.
 Alex relata abusos que afirma ter sofrido na infância, descreve as consequências psicológicas ao longo da vida e comenta os desdobramentos das denúncias atualmente em apuração. A entrevista foi realizada por chamada de vídeo, com Alex residindo hoje no município de Suzano. Para replicar esse material a Folha usou a postagem que está na página de Alex Sartori desde ontem.

Decisão de falar e buscar Justiça
“Eu vinha enfrentando isso há um tempo já. Eu me abri relacionado ao assunto com a minha psicóloga. Eu faço tratamento psicológico já há algum tempo, desde que isso começou a voltar, minha memória começou a me afetar muito mais. Ela me deu ali um pingo de esperança, além de me apoiar, de me aconselhar, de me ajudar. Ela me falou sobre uma mudança da lei que tinha acontecido recentemente, onde a vítima de abuso ou estupro de vulnerável podia estar denunciando até vinte anos depois que a vítima completasse dezoito anos. Eu vi ali um pingo de esperança de ter justiça.”

Memórias reprimidas e gatilhos
“É uma coisa que eu guardei comigo a vida toda, ela ficou escondida no meu inconsciente por um tempo. Eu segui tocando a minha vida e acho que por um tempo atrás eu comecei a ter gatilhos, porque eu comecei a ver muita notícia relacionada com muitos casos acontecendo, e isso começou a voltar a minha memória e começou a me fazer muito mal.”

Tentativas de suicídio e impacto emocional
“Como a minha irmã disse, eu cheguei a ponto de atentar contra a minha própria vida, de tentar mais de uma vez, de não conseguir trabalhar, não conseguir estudar.”

Boletim de ocorrência e arquivamento
“Eu decidi fazer o boletim de ocorrência me baseando nessa nova lei, mas, infelizmente, o meu caso foi arquivado, porque prescreveu. A mudança da lei veio depois da prescrição do meu caso, então acaba não sendo retroativa.”

Como começou a relação com o professor
“A minha relação com ele era assim, eu não costumava falar muito e eu não tinha muitos amigos. Então eu via nele, acredito que na época eu entendia como, além de um professor, um amigo. Ele era um cara que me procurava, tentava estar próximo de mim, falava que ia me ajudar, que eu era um menino muito bom.”

Aproximação da família
“Ele se relacionou com a minha família em alguns casos. Ele chegou até a conversar com a minha avó, falando que, se pudesse, ele me adotaria.”

Construção de confiança
“Ele tinha uma facilidade muito grande em interagir com as crianças, em se relacionar e criar uma certa confiança.”

Convites para ir à casa dele
“Depois que ele se aproximou de mim, ele começou com convite de ir na casa dele, ajudar ele a guardar alguns troféus, outra hora era pra ajudar ele a organizar alguns livros. Ele dizia que ia me ajudar nos treinamentos, ia me levar pra jogar.”

Trocas e promessas
“Ele sempre me convidava oferecendo alguma coisa em troca, ou era jogar no próximo jogo, ou era me ajudar com alguma coisa. Eu lembro que na época eu era uma criança, eu tinha um pensamento de que eu queria trabalhar pra ajudar minha avó, e ele falava que ia me ajudar com isso.”

Situações disfarçadas de treino
“Teve um fato em que ele dizia que estava me ensinando um exercício que ia me ajudar no desenvolvimento do futebol. Pra mim aquilo me soava muito estranho, mas eu não sabia identificar de fato o que estava acontecendo.”

Primeiros toques e abusos
“Eu chegava na casa dele, começava a tentar ajudar em alguma coisa, e ele se aproximava, ficava encostando. Depois ele sentava no sofá e pedia pra sentar no colo dele, ia passando a mão pelo corpo da gente, pegava a minha mão e passava pelo corpo dele.”

Falta de reação e de orientação
“Era uma coisa que me assustava, mas eu não conseguia reagir. Eu também não tinha ideia de que eu tinha que contar aquilo pra alguém, ou que eu tinha que pedir ajuda, porque eu nunca fui ensinado sobre aquilo, sobre o que podiam e o que não podiam fazer comigo.”

Conjunção carnal e abandono
“Quando teve, de fato, a conjunção carnal, que era o que ele queria, ele parou de me procurar, parou de me chamar, parou de me ajudar, parou de me levar pra jogos. Quando ele conseguiu o que ele queria, a relação acabou ali.”

Comentários sobre outros alunos
“Eu ouvia bastante comentários. Eu fui perceber isso bem depois, quase na fase adulta, quando eu percebi o que tinha acontecido comigo. Sempre teve bullying de um colega com outro falando que o professor fazia isso com quem ia na casa dele.”

Descrição detalhada do aluno punido
“Eu lembro de um fato que foi um desfile do 7 de Setembro. A Escolinha de Futebol da Prefeitura desfilava com os alunos uniformizados. A gente estava concentrado ali em frente ao que hoje é o cinema. Um dos alunos comentou com outro que ficou sabendo que o professor fazia esse tipo de coisa com outros alunos. Esse comentário chegou até ele. Ele entrou numa discussão com esse menino como se fosse um adulto, tirou ele do desfile, mandou ele pra casa e depois proibiu ele de treinar na Escola de Futebol. Ele foi proibido tanto do desfile quanto de continuar treinando.”

Sequelas ao longo da vida
“Eu desenvolvi ansiedade, depressão. Sempre que eu lembrava desses acontecimentos, era uma lembrança muito vívida, eu conseguia sentir dor, sentir toque, ouvir respiração, como se estivesse acontecendo tudo de novo.”

Crise após arquivamento
“Quando eu decidi procurar a Justiça e o processo foi arquivado, foi uma coisa que me derrubou. Eu entrei numa depressão muito profunda, precisei me afastar do trabalho, fiquei quatro meses afastado.”

Apoio da irmã e decisão de tornar público
“A minha irmã foi a pessoa que mais me deu apoio. Ela falou que as pessoas tinham que saber que tipo de pessoa ele é, porque ele lida com crianças até hoje.”

 

Percepção de padrão

“Pela forma como ele se aproximou, pela habilidade que ele teve, pelo passo a passo de tudo que ele fez, eu não fui o primeiro e com certeza não fui o último.”

Sobre a defesa do professor
“Ele está no direito dele de dizer que as denúncias são infundadas, mas as vítimas têm provas, inclusive um áudio pedindo para que o jovem não conversasse com a própria família.”

Expectativa
“Eu acredito que a justiça será feita.”

Clicando na foto abaixo da entrevista de Diego dos Reis com Alex Sartori você consegue entrar direto na reportagem completa na página do Facebook onde o radialista postou o material.

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