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Justiça mantém prisão de ex-monitor investigado por violência sexual em Piraju

Postado à, 0 dias atrás | 6 minutos de leitura

Justiça mantém prisão de ex-monitor investigado por violência sexual em Piraju

Paulo Sérgio Pires Lopes foi preso após a conclusão de inquérito; denúncias anteriores e atuação da rede de proteção também são questionadas

Por Maria Ângela Ramos — Da redação

Paulo Sérgio Pires Lopes, 57 anos, conhecido como professor Pires, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça após a conclusão de um inquérito policial e foi preso pela Polícia Civil na tarde de quarta-feira, 7 de outubro, em Piraju. A investigação apura suspeitas de violência sexual contra crianças e adolescentes que estavam sob seus cuidados em uma escolinha de futebol.

O ex-monitor passou por exame de corpo de delito e permaneceu na cadeia pública de Piraju até a audiência de custódia, realizada na quinta-feira (8), quando a Justiça manteve a prisão preventiva. Na ocasião, estava prevista sua transferência para um Centro de Detenção Provisória, mas a polícia não divulgou o local.

A Polícia Civil está à disposição para receber novas denúncias e ouvir outras possíveis vítimas. A investigação corre em segredo de Justiça.

O celular do investigado foi apreendido. A análise policial identificou conversas e contatos com adolescentes, inclusive convites para encontros fora das atividades esportivas.

As denúncias relacionadas ao monitor já haviam sido abordadas pela Folha de Piraju no Instagram em dezembro de 2025, quando Mary Sartori, irmã de um dos denunciantes, publicou um vídeo relatando que seu irmão havia sofrido abusos quando aluno de Pires. Conforme o relato de Mary, as autoridades foram procuradas, mas o caso acabou arquivado em razão da prescrição.

Diante do surgimento de novas denúncias, Mary entrou em contato com mães de outras possíveis vítimas e passou a cobrar providências. Apoiada pela Rede de Apoio a Meninas e Mulheres de Piraju (RAMP), contou com uma rede da qual também participaram a vereadora Léia Jacob, a rádio Eduvale, o jornalista Diego dos Reis e a Folha de Piraju, além do vice-prefeito Leonardo Tonon e do diretor de Esportes Luciano Sanches, que afastou Pires das atividades.

A iniciativa de tornar as denúncias públicas, procurar outras famílias e cobrar a apuração contribuiu para que novos relatos viessem à tona e o caso ganhasse repercussão. A cobertura está disponível no site folhadepiraju.com e nas páginas da Folha de Piraju no Instagram e no Facebook.

No âmbito municipal, Pires respondeu ao Processo Administrativo Disciplinar nº 25/2025. Entre os fundamentos estavam manifestações na Ouvidoria Municipal, documentos encaminhados pela RAMP e informações sobre uma investigação policial. A portaria que instaurou o procedimento também mencionava o relato de um adolescente, colhido em escuta especializada, sobre situações envolvendo o servidor.

O afastamento buscava preservar a apuração e evitar interferência na coleta de provas ou influência sobre testemunhas.

Ao final do procedimento, a Prefeitura aplicou a pena de demissão do serviço público municipal. A decisão consta da Portaria nº 823/2026, publicada no Diário Oficial do Município em 12 de agosto de 2026. Pires era servidor estatutário e ocupava o cargo de monitor de esportes.

Nas publicações divulgadas por Mary Sartori, também foram apresentados vídeos de um familiar de um adolescente com mensagens de áudio atribuídas ao monitor. Nos registros, ele tentava manter contato com o garoto mesmo após os pais pedirem que se afastasse. Também solicitava que o adolescente não comentasse as conversas com os pais.

A mãe relatou consequências emocionais e o desejo do filho de abandonar as atividades esportivas.

A prisão ocorre após denúncias que remontam a diferentes períodos e que, durante anos, permaneceram cercadas pelo silêncio, pela vergonha e pelo constrangimento das famílias.

Segundo denúncias de familiares, algumas queixas teriam chegado a integrantes da rede de proteção sem produzir, naquele momento, uma resposta capaz de interromper o contato profissional de Pires com crianças e adolescentes.

Permanecem os questionamentos sobre o encaminhamento dado às denúncias anteriores e a atuação dos órgãos responsáveis por receber, encaminhar e apurar os relatos. Também é necessário esclarecer quais providências foram adotadas nessas ocasiões e por que as denúncias não resultaram em uma resposta efetiva antes.

A demissão administrativa não equivale a uma condenação criminal. A decisão municipal, porém, aplicou ao servidor a pena de demissão após a apuração disciplinar.

O pedido de prisão preventiva foi apresentado ao final do inquérito pelo delegado Gean Marcon, que, com sua equipe, investigou o caso e ouviu testemunhas. As investigações prosseguem.

 

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