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Delegado detalha confissão e investigação que levaram a suspeitos do Caso Jennifer

Postado à, 0 dias atrás | 10 minutos de leitura

Delegado detalha confissão e investigação que levaram a suspeitos do Caso Jennifer

Adriano Leite de Assis relata contradições em depoimentos, confissão de investigada, pacto de sangue e dinâmica atribuída ao grupo no homicídio da jovem, ocorrido em 2021

O delegado Adriano Leite de Assis, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Avaré, detalhou em entrevista à Rádio Paulista FM, durante a coletiva realizada em 17 de agosto na Delegacia Seccional de Avaré, os acontecimentos que levaram a Polícia Civil a avançar na investigação do homicídio de Jennifer Eduarda da Cruz Blimblem, de 18 anos.

O inquérito foi instaurado em 2021, depois que o corpo da jovem foi encontrado. O caso permaneceu em investigação e ganhou uma nova linha de apuração em 2025, quando a DIG recebeu uma denúncia anônima.

“Em 2025, a gente recebeu na DIG uma denúncia anônima que citava a participação de um casal nos fatos e uma terceira pessoa sem citar o nome.”

A partir das informações, policiais realizaram diligências e trabalho de inteligência com participação do Centro de Inteligência Policial. Adriano explicou que os primeiros dados encontrados não estabeleciam uma ligação direta do casal com o homicídio, mas chamaram a atenção dos investigadores.

Mais de quatro horas de depoimentos e contradições

O casal foi intimado para prestar depoimento em 13 de agosto deste ano. Os dois permaneceram sendo ouvidos durante mais de quatro horas.

“A gente ficou ouvindo esse casal por mais de quatro horas e a gente encontrou diversas contradições. Em síntese, eles relataram que haviam comentado que teriam matado a Jennifer, mas somente para se aparecer no grupinho de amigos.”

A investigação mudou de rumo no dia seguinte. Conforme Adriano, a mulher retornou à delegacia e manifestou a intenção de confessar sua participação no crime.

“No dia 14, essa moça retornou à delegacia e ela falou que ela tinha uma espécie de um peso na consciência e que ela não aguentava mais aquilo e ela queria confessar a participação dela nesse crime.”

Um novo interrogatório foi realizado. Na avaliação da Polícia Civil, o relato trouxe detalhes sobre o planejamento, a escolha da vítima e a execução do homicídio.

“Tinham a intenção de saber qual era a sensação de matar uma pessoa”

Uma das declarações mais contundentes do delegado diz respeito à motivação relatada pela investigada. Adriano contou que, conforme a confissão, ela e o então namorado conversavam sobre matar alguém.

“Ela relatou que, juntamente com seu namorado à época, eles falavam que eles tinham vontade, eles tinham a intenção de saber qual era a sensação de matar uma pessoa.”

Ainda conforme o depoimento relatado pelo delegado, Jennifer não teria sido escolhida por uma relação de amizade ou conflito anterior com o casal.

“Naquele dia 24, eles localizaram a Jennifer, eles não conheciam, não eram amigos próximos, mas eles conheciam porque frequentavam a mesma praça. E decidiram, falaram: ‘Vamos, é a Jennifer’.”

O plano teria sido apresentado a um terceiro rapaz, que, conforme a versão da investigada reproduzida pelo delegado, concordou em participar.

Outras duas pessoas estavam inicialmente com o grupo e posteriormente foram ouvidas como testemunhas. Elas teriam confirmado que estiveram com os investigados naquele período, mas foram deixadas em determinado ponto antes de o trio seguir para o local onde posteriormente o corpo de Jennifer seria encontrado.

Delegado relata dinâmica apresentada na confissão

Adriano descreveu também o que a investigada contou sobre os momentos em que Jennifer foi atacada.

“A mulher relatou que ela conversava com a Jennifer, enquanto o menino de 18 anos, o rapaz de 18 anos, chega e dá uma facada no pescoço dela.”

Na sequência, conforme a confissão relatada pelo delegado, a arma branca teria sido entregue à mulher.

“Ele passa essa faca, uma faca pequena, ela fala que é uma faca de uma montina, passa para a mulher, ela dá mais três estocadas no abdômen, no peito da Jennifer.”

O então namorado da investigada teria participado em seguida das agressões, utilizando uma barra de ferro que estava no carro. Adriano relatou que, conforme a versão apresentada à polícia, as agressões continuaram até que os envolvidos acreditassem que Jennifer estava morta.

Durante a madrugada, segundo a investigação, o grupo teria retornado ao local porque um dos rapazes percebeu que havia perdido os óculos. Antes, teria passado por um posto de combustíveis. O corpo de Jennifer foi então incendiado.

Pacto de sangue após o homicídio

Outro elemento relatado pela investigada chamou a atenção da Polícia Civil. Conforme Adriano, ela contou ter realizado posteriormente um pacto de sangue com o então namorado para que os dois não revelassem o crime.

“A menina ainda relatou que ela fez um pacto de sangue com o seu namorado, para que nenhum dos dois falasse a respeito do assunto, para que eles também não terminassem mais o relacionamento que eles tinham, caso contrário, tudo daria errado na vida deles.”

Segundo o delegado, a investigada afirmou que se feriu durante o pacto e precisou procurar atendimento médico.

A DIG buscou verificar a informação.

“A gente já confirmou com o pronto-socorro que no dia 27, 27 de novembro de 2021, ela realmente passou para o atendimento médico para fazer uma sutura na mão e que confirma o que ela nos relatou.”

A mulher também declarou aos investigadores, conforme Adriano, que posteriormente o então namorado teria sugerido a prática de outro homicídio.

Tatuagem com a frase “Born to Kill”

A denúncia anônima que ajudou a impulsionar as novas diligências também mencionava uma tatuagem feita por um dos investigados após a morte de Jennifer.

A Polícia Civil verificou a existência da tatuagem no pescoço com a expressão em inglês “Born to Kill”, traduzida como “nascido para matar”.

O investigado, conforme o delegado, apresentou outra explicação para a frase.

“Ele alega que é um filme de 1947, realmente tem esse filme, mas aí a gente fazendo a junção dos fatos com o que aconteceu, a gente realmente acredita aí que possa ser um elemento indiciário para vincular esse homicídio da Jennifer.”

Questionado pela Rádio Paulista FM se o pacto de sangue teria alguma relação com satanismo, Adriano respondeu com base no que foi declarado pela investigada:

“Ela mencionou que na época ele era ligado, ele tinha curiosidades pelo satanismo, então ela mencionou que sim.”

DIG diz que nunca abandonou o caso

Apesar do avanço da investigação, o trabalho policial ainda não estava encerrado no momento da entrevista. O delegado informou que existiam diligências pendentes e que a DIG teria prazo para concluir o inquérito.

Adriano também fez questão de responder a uma questão que acompanhou o caso durante os quase cinco anos transcorridos desde a morte da jovem.

“Deixar bem claro que desde quando aconteceu esse crime horrível aqui no município, a DIG não esqueceu desse caso, não abandonou esse caso. No entanto, nesse momento aqui, a gente consegue dar uma resposta para a família e para a sociedade.”

A entrevista foi concedida em 17 de agosto, durante a coletiva realizada na Delegacia Seccional de Avaré. As declarações descrevem a linha investigativa apresentada pela Polícia Civil e versões fornecidas pelos investigados. A apuração ainda dependia, naquele momento, da conclusão das diligências e do posterior encaminhamento do inquérito à Justiça.

 

 

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