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Caso Jennifer: Polícia Civil de Avaré faz coletiva sobre detalhes da investigação

Postado à, 0 dias atrás | 8 minutos de leitura

Caso Jennifer: Polícia Civil de Avaré faz coletiva sobre detalhes da investigação
Jennifer Eduarda da Cruz Blimblem foi encontrada morta e nua na zona rural de Avaré (SP), em setembro de 2021. Laudo do IML apontou que a jovem morreu por traumatismo craniano.
Dois homens estão presos e versões apresentadas nos interrogatórios reforçaram pontos centrais apurados pela DIG
 
A Polícia Civil de Avaré apresentou, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (17/8), o esclarecimento do homicídio de Jennifer Eduarda da Cruz Blimblem, de 18 anos, ocorrido em setembro de 2021. Após quase cinco anos de investigação, a DIG apontou a participação de três pessoas. Dois homens, de 28 e 23 anos, foram presos temporariamente no sábado (15), enquanto uma terceira investigada permanece em liberdade. 
A coletiva, realizada na Delegacia Seccional, reuniu o delegado seccional Fabiano Ribeiro Ferreira da Silva, o delegado titular da DIG, Adriano Leite de Assis, os chefes dos investigadores da Seccional e da DIG, Alexandre Novaes Costa Aurani e Mario Celestino, além do coordenador do Centro de Inteligência Policial da DIG, José Manhez Filho. A DIG informou que representará pela conversão das prisões temporárias em preventivas. 
 
Jennifer desapareceu após a noite de 24 de setembro de 2021 e foi encontrada morta seis dias depois, em uma área rural. O exame necroscópico apontou traumatismo cranioencefálico causado por ação contundente. A investigação começou quando Fabiano ainda comandava a DIG e prosseguiu com perícias, exames, depoimentos e outras diligências. 
 
Mesmo sem autoria definida nos primeiros anos, a DIG manteve o caso ativo. Uma nova linha ganhou força após duas denúncias anônimas recebidas em 2025 e 2026, levando os investigadores a revisitar depoimentos e confrontar novas informações com vestígios e provas preservados desde 2021. 
 
Entre os elementos estava um Volkswagen Santana vinho, ligado ao investigado de 28 anos. Testemunhas confirmaram que Jennifer esteve com o grupo na noite do desaparecimento e que deixou determinado local com os três investigados. Em agosto, a terceira envolvida, formalmente investigada, passou a colaborar com a DIG e forneceu informações que impulsionaram novas diligências.
 
A prisão temporária da mulher não foi requerida. Já em relação aos dois homens, a DIG apontou a necessidade de preservar a investigação contra eventual combinação de versões, desaparecimento de objetos ou eliminação de dados. A colaboração da investigada, contudo, não afasta eventual responsabilidade criminal.
 
Após as prisões, os dois homens apresentaram versões diferentes, mas admitiram circunstâncias relevantes. O investigado de 28 anos, proprietário do Santana, confirmou que dirigia o veículo e que, no momento decisivo, estavam juntos ele, Jennifer, o homem de 23 anos e a terceira investigada. O grupo teria seguido para uma estrada de terra, onde a jovem passou mal.
Segundo o preso de 28 anos, o outro investigado teria iniciado as agressões com uma faca, com participação posterior da mulher. Ele também confirmou que um objeto metálico existente no Santana foi utilizado contra a cabeça de Jennifer, mas atribuiu os golpes ao homem de 23 anos. 
 
O investigado de 28 anos admitiu ainda ter levantado uma cerca para permitir a passagem dos demais com o corpo. Também relatou que o grupo retornou horas depois à região, após obter combustível, embora tenha afirmado que permaneceu afastado enquanto os outros desceram do veículo. 
 
O preso de 23 anos apresentou outra versão. Negou ter utilizado a faca e atribuiu esses golpes ao outro homem, mas admitiu ter atingido Jennifer duas vezes na cabeça com um objeto de ferro. A declaração é relevante porque coincide com a natureza da lesão que provocou a morte, segundo o laudo necroscópico. 
 
Ele também reconheceu participação na movimentação do corpo e confirmou o retorno posterior à região. As divergências entre os relatos estão sendo confrontadas pela DIG para individualizar a atuação de cada investigado no homicídio e nas ações posteriores. 
A investigação apura ainda um possível pacto de silêncio após o crime. O homem de 28 anos foi questionado sobre um suposto “pacto de sangue” com a terceira investigada para que os fatos não fossem revelados. Já o preso de 23 anos atribuiu seu silêncio durante quase cinco anos ao medo. 
 
Para a DIG, embora os presos tentem atribuir um ao outro maior responsabilidade pelas agressões, suas declarações convergem em aspectos importantes e encontram respaldo em elementos externos: ambos estavam com Jennifer, o Santana aparece na reconstrução da noite do crime e o homem de 23 anos admite os dois golpes na cabeça da vítima.
 
As buscas resultaram na apreensão de celulares, computadores, notebooks, HDs, pendrives, cartões de memória e outros dispositivos. Uma faca também foi recolhida na diligência relacionada ao investigado de 23 anos, mas somente a perícia poderá estabelecer eventual relação do objeto com o homicídio. 
 
Com o avanço das diligências, Adriano Leite de Assis informou que representará pela prisão preventiva dos investigados. Os materiais apreendidos serão periciados e as informações extraídas dos dispositivos confrontadas com os demais elementos do inquérito. 
 
Na coletiva, Adriano ressaltou que as divergências entre os presos precisam ser separadas daquilo que encontra confirmação independente. “Os próprios investigados apresentam divergências sobre a atuação de cada um, mas há circunstâncias centrais que se repetem e encontram respaldo em testemunhas e na prova técnica”, afirmou. 
 
O delegado também destacou a persistência da DIG ao longo dos anos. “Esse inquérito nunca ficou esquecido. Foram anos de trabalho, muitas diligências e revisão constante das informações”, declarou. Segundo ele, a preservação de vestígios, laudos e depoimentos permitiu confrontar os novos elementos e chegar ao esclarecimento do caso. 
 
O inquérito prossegue com perícias, análise dos equipamentos apreendidos e diligências destinadas a definir com precisão a responsabilidade individual de cada investigado. Concluída essa etapa, os autos serão encaminhados à Justiça para as providências cabíveis.
 

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